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Experiências da Seduc serão mostradas em congresso no Paraná

 

Três metodologias de educação especial idealizadas por professores e gestores da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (Seduc) foram selecionadas para ser apresentadas como experiências bem-sucedidas no V Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial (CBMEE), que será realizado em Londrina (Paraná), de 3 a 6 de novembro. O evento é promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e realizado pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação Especial. O objetivo é congregar profissionais de educação especial e áreas afins para discutir e disseminar conhecimentos produzidos por pesquisadores e alunos de pós-graduação.


Os trabalhos maranhenses aprovados pela comissão do congresso são das áreas de formação de recursos humanos para atuação em educação especial, preparação de pessoas com deficiências para o mercado de trabalho e de pessoas com altas habilidades. Serão apresentadas as seguintes experiências: "Formação continuada na área de deficiência visual na Seduc-MA: trajetória em curso", de Paulo Roberto de Jesus Silva e Suzana Marques da Silva Menezes; "A inserção profissional de educandos com deficiências e transtornos globais de desenvolvimento: em destaque na Secretaria de Estado da Educação do Maranhão", de Maria Nilza Oliveira Quixaba e Suzana Marques da Silva Menezes; e Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação do Maranhão: programa de trabalho", de Ana Lourdes Alves Araújo, Eneluce de Jesus Reis Rabelo e Graças de Maria Belo Lima Machado.


De acordo com a supervisora de Educação Especial da Seduc, Suzana Marques da Silva Menezes, os trabalhos retratam três diferentes aspectos: formação continuada de professores, inserção de alunos com deficiências no mercado de trabalho e o núcleo de altas habilidades. "São trabalhos de extrema importância tanto para a Seduc quanto para a sociedade e como são experiências bem-sucedidas precisam ser mostrados ao Brasil. No congresso, vamos conhecer outras experiências e somar com as que já temos em prol de uma educação especial de maior qualidade", afirmou ela.


Suzana Menezes disse ainda que a participação do Maranhão no Congresso em Londrina significa o reconhecimento do Governo do Estado e do secretário de Educação, César Pires, ao esforço e dedicação da equipe. "Isso nos deixa muito orgulhosos e nos incentiva ainda mais a dar continuidade a esse trabalho que nos gratifica bastante e tem dado muitos resultados positivos", complementa. Ela afirma ainda, que a linha adotada pela Seduc com os alunos de educação especial é de inserção, não de protecionismo. "As pessoas com deficiências precisam ser vistas com outros olhos, não os da proteção, da pena. O que elas precisam, e o que fazemos, é dar-lhes oportunidade de aprender e traçar seu próprio caminho, tendo autonomia e independência, por meio da educação, do trabalho, da inserção social e da oportunidade de mostrar seus potenciais", garantiu.

Oportunidades
A inserção social é uma das diretrizes do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual do Maranhão (CAP), localizado no bairro Santa Cruz. Por meio da promoção de cursos de Braile, Soroban, Orientação e Mobilidade e outros, alunos e professores da rede estadual e de outras instituições públicas e privadas e pessoas da comunidade, o Centro dá oportunidade aos cegos de aprenderem a conviver com sua deficiência, superar barreiras e levar uma vida com todas as tarefas cotidianas, como estudar, trabalhar e exercer outras atividades. Atualmente, 190 pessoas são atendidas. E é esse trabalho que será apresentado ao Brasil durante o CBMME. O CAP começou a funcionar em 2001 em uma parceria entre os governos federal e estadual e atende pessoas a partir de zero ano de idade.


A formação de professores é um dos trabalhos-chave do CAP. De acordo com o diretor-adjunto do Centro, Paulo Roberto de Jesus da Silva, antes, professores maranhenses precisavam fazer cursos na área de educação especial para trabalhar com deficientes visuais no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, ou então lecionar sem o conhecimento específico. "Era uma dificuldade muito grande e sem a formação fica difícil trabalhar com alunos com deficiência em uma turma regular de ensino. Agora, nossos professores fazem o curso aqui mesmo em São Luís e se preparam para o trabalho especializado. Há muitos que vêm do interior do estado, mas a distância é bem menor", pontuou ele. Os cursos são intensivos de uma semana e há turmas durante as férias escolares.


De acordo com Paulo da Silva, participar do congresso em Londrina é uma grande oportunidade de trocar experiências e mostrar o excelente trabalho desenvolvido no Maranhão. "Vamos, principalmente, mostrar que a inclusão de deficientes visuais é possível no país e que um trabalho maravilhoso com esse objetivo é realizado pela Seduc no Maranhão. É também uma demonstração de valorização profissional por parte da Secretaria e do Governo do estado. Vamos levar e trazer muitas coisas positivas", afirmou. Mais informações sobre os cursos do CAP podem ser obtidas pelo telefone 3253-7231.


Habilidades/superdotação
O Maranhão também dá exemplo quando o assunto é inserção de alunos com altas habilidades/superdotados. Ricardo Chaib da Silva, de 10 anos, aluno da 4ª série da Unidade Integrada Estado do Piauí, localizada no Monte Castelo, foi identificado com características de altas habilidades. Suas notas nas provas mensais são 10 em todas as matérias, ou melhor, em quase todas. Neste mês de outubro, ele tirou 9,5 em História e ficou triste. "Queria muito ter tirado 10, mas acho História uma matéria chata e não consegui estudar direito este mês. Meus colegas até fizeram brincadeiras comigo, o que me deixou ainda mais chateado, mas vou recuperar a nota 'baixa'", prometeu ele, que é expert em Matemática, sua disciplina favorita.


Ricardo Chaib é um dos 30 estudantes da rede estadual de ensino acompanhados pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S) Joãozinho Trinta, outra parceria entre os governos federal e estadual, que começou a funcionar em 2006 no Maranhão. No Núcleo, são promovidas atividades de enriquecimento e estímulo do conhecimento em horário extraclasse. São duas horas diárias de ações voltadas para o estímulo ao desenvolvimento das altas habilidades/superdotação, como pesquisas, atividades que necessitam do conhecimento de Matemática, leitura, produção de texto, ortografia, visitas a museus, arte e outras. "Aqui, os alunos são estimulados a exercer sua alta habilidade/superdotação, por isso as atividades são diferenciadas das que ele estuda na sala de aula, respeitando o talento de cada um. Durante o tempo em que ficam no NAAH/S, eles também são acompanhados em sua área de interesse, processo que é lento e precisa de total atenção", informou a coordenadora de ensino do Núcleo, Nelcy de Montserrat.


Produção de texto para Fábia Larane Moraes Naiva, de 9 anos, que cursa a 2ª série na Unidade Integrada Estado do Pará, na Liberdade, é coisa simples e ação cotidiana no NAAH/S. Sua grande dificuldade, esta semana, foi concluir um livro, pois a inspiração não parava. "Toda hora vem coisas novas na minha cabeça e não consigo acabar a história....", afirmou ela, que batizou o livro de "Bela Menina do Sapato de Ouro". Sua habilidade para a produção textual vem sendo bastante estimulada no Núcleo.


De acordo com a coordenadora geral do NAAH/S, Eneluce de Jesus Reis Rabelo, o Núcleo promove um trabalho multidisciplinar em várias áreas, com unidades específicas de atendimento ao aluno, ao professor e à família. Ela explicou que primeiramente é feito um trabalho de sensibilização dos docentes para que identifiquem nas salas de aula os alunos com características de altas habilidades/superdotação, por meio de um questionário. A partir disso, os estudantes passam a ser acompanhados pela equipe multidisciplinar do Núcleo durante um longo período. "É um trabalho de acompanhamento por meio do estímulo ao enriquecimento do conhecimento com várias atividades. Durante todo o tempo em que o aluno fica no NAAH/S ele é observado e estimulado. Depois disso, inicia-se outra fase, que é a de ensiná-los a conviver com essa capacidade de forma a não se sentirem rejeitados pelos colegas no ambiente escolar", explicou ela.


De acordo com a assistente técnica do NAAH/S, Ana Lourdes Alves de Araújo, o Núcleo trabalha, essencialmente, o processo criativo e dá oportunidade aos alunos de mostrar seu talento e a pesquisar para obter e exercer seu conhecimento. "Os alunos com características de altas habilidades precisam ser identificados e ter suas necessidades e interesses atendidos por meio do estímulo e da pesquisa, que tem papel fundamental nesse trabalho, por isso focamos tanto isso aqui no Núcleo", disse.


A família também tem papel importante no atendimento ao aluno com características de altas habilidades/superdotação. Segundo a coordenadora da Unidade de Atendimento à Família do Núcleo, Graças de Maria Belo Lima Machado, esse apoio é fundamental para que os familiares aprendam a lidar com o talento diferenciado de crianças. "A família também tem papel importante no acompanhamento das crianças com características de altas habilidades, pois o trabalho não se encerra na escola ou no NAAH/S, ele é contínuo, e os familiares precisam estar sensibilizados para isso. Outra questão é que muitas vezes, a família exige sempre mais desses alunos e não sabe como lidar com a inquietação deles, por isso precisa estar bem orientada e aprender a lidar com essas questões peculiares", justificou ela.


Na opinião de Maria do Socorro Salomão Chaib, mãe de Ricardo Chaib, o trabalho do NAAH/S é excelente. "Eu sentia muita falta de uma orientação como a que recebo aqui. O modo que eu via meu filho mudou, passei a entender melhor a condição dele e a perceber suas reais necessidades, respeitando-as e aprendendo a lidar com elas. Depois que ele passou a frequentar o Núcleo, ele passou a ver a escola de outra forma, não somente o local para se aprender matéria e fazer prova. Hoje, ele se esforça e vê o colégio como um local onde pode aprender coisas além das matérias tradicionais e isso me orgulha muito", afirmou ela.

Inserção no mercado de trabalho
A inserção de pessoas com transtornos globais de desenvolvimento (como autistas) no mercado de trabalho é outro trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe da Supervisão de Educação Especial da Seduc com resultados bastante positivos. Tanto que também será apresentado no V Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial (CBMEE), de a 3 a 6 de novembro em Londrina (PR) pela supervisora de Educação Especial da Seduc, Suzana Menezes, e a técnica Maria Nilza Oliveira Quixaba, com o tema ""A inserção profissional de educandos com deficiências e transtornos globais de desenvolvimento: em destaque na Secretaria de Estado da Educação do Maranhão".


Segundo Nilza Quixaba, de 1980 até este ano, cerca de 800 alunos com transtornos globais de desenvolvimento já foram absorvidos pelo mercado de trabalho em São Luís. O primeiro passo é a promoção de cursos profissionalizantes - já foram realizados de informática, serviços de supermercados, camareiro e está acontecendo o de copeiro. Após a formação dos alunos, estes passam para o estágio nas empresas parceiras e alguns são absorvidos por elas em seu quadro funcional. Durante o estágio, os alunos também são acompanhados pela Seduc e recebem todo o suporte de orientações.


"Nosso trabalho visa, primeiro, possibilitar que os alunos com transtornos globais de desenvolvimento descubram e mostrem seu potencial e depois sensibilizar os empresários para a importância de dar oportunidades a eles, agregando à sua mão de obra, pessoas que também são produtivas e podem contribuir muito para o crescimento da empresa em diversas áreas. Nossa função primordial é garantir a essas pessoas a conquista da cidadania", resumiu ela.


Nilza Quixaba informou ainda que o trabalho é desenvolvido em parceria com entidades e órgãos, como o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e a Polícia Rodoviária Federal, e empresas como o Supermercados Mateus, o Hiper Bom Preço, Hospital São Domingos, Armazém Paraíba e outras.


Suzana Menezes lembrou que a exigência legal de as empresas incluírem em seus quadros, pessoas com deficiências, foi um primeiro passo para a inserção dessas pessoas no mercado, mas com o trabalho de sensibilização que vem sendo feito, os empresários têm percebido o valor delas. "Ao cumprirem a legislação, os empresários passaram a perceber o potencial dessas pessoas e a abrir novas vagas, o que é extremamente gratificante para nós, da Seduc, pois é o resultado de um trabalho longo, e que agora tem seu reconhecimento do mercado de trabalho com essa nova visão", avaliou. Em algumas empresas, são ministrados cursos como o de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) para garantir a comunicação dos funcionários com os estagiários com deficiências, o que ajuda a integrá-los mais ainda no ambiente de trabalho.


Para Nilza Quixaba, apresentar essa experiência no Congresso é uma forma de compartilhá-la com outros educadores e também de conhecer novas, que podem ser implantadas no Maranhão. "Cada estado faz a inserção dos seus alunos com deficiências de forma diferenciada, então, vai ser uma experiência enriquecedora, mostrar o nosso trabalho, que tem resultados bastante positivos, e conhecer outros, também bem-sucedidos", finalizou.

Saiba mais

Braile
É um sistema de leitura com o tato para cegos criado pelo francês Louis Braille. É um alfabeto convencional cujos caracteres se indicam por pontos em relevo. A partir dos seis pontos salientes, é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, pontuações, algarismos, sinais algébricos e notas musicais.

Soroban
Soroban é o nome dado ao ábaco japonês, que consiste em um instrumento para cálculo, originalmente chinês, e levado para o Japão em torno de 1622. É composto de diversas colunas, cada uma representando uma unidade, dezena, centena, etc. Cada coluna, por sua vez, contém duas partes: uma em cima e outra embaixo. Assim, cada coluna possui uma pedra (ou conta) na parte de cima que vale cinco unidades (ou dezenas, centenas, etc.) e quatro pedras na parte de baixo, cada uma equivalendo a uma unidade (ou dezena, centena, etc).

Transtornos globais de desenvolvimento
São pessoas que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesse e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro autismo e psicose infantil.



Data: 26/10/2009
Fonte: Seduc
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