6/07/2018 12:45 pm

A Escola Digna (de) Sotero dos Reis

A histórica Unidade Integrada Sotero dos Reis, na Rua São Pantaleão, centro de São Luís, passa pela maior reforma de todos os seus 81 anos de existência. E, para deixá-la no padrão da ‘Escola Digna’, respeitando a arquitetura do prédio tombado como patrimônio histórico, o Governo do Estado está investindo o montante na ordem de 1,5 milhão.

Fundada em 1937, a ‘Sotero do Reis’ guarda uma história cheia de riquezas e fatos que estão diretamente associados à história de São Luís, mas que pouca gente tem conhecimento. A ampla reforma faz jus, primeiramente, à história do patrono da escola, Francisco Sotero dos Reis – professor autodidata, um dos principais expoentes da educação ludovicense e brasileira, que deixou um legado incalculável à Língua Portuguesa, ao escrever, em 1962, Pastillas de Grammática Geral, considerada por muitos historiadores a primeira gramática brasileira.

F. Sotero, como é chamado na obra Phanteon Maranhense TOMO I, de Antonio Henriques Leal (1873), ‘pegou o gosto pela leitura’, ainda adolescente e, aos 18 anos, começou a dar aulas em sua própria residência, na Rua de Nazaré, esquina com a Rua do Giz; mais tarde, foi nomeado, aos 21 anos, para ministrar gramática latina em um colégio da província e, em 1838, foi nomeado primeiro inspetor do Liceu Maranhense, que funcionava no Convento de Nossa Senhora do Carmo. Há um trecho do livro, no qual o autor realça a vocação de Sotero pela educação: “Seu espírito infatigavel e todo inclinado à missão de preceptor da mocidade não se satisfazia só com a aula pública, onde se lhe iam muitas horas: nas tardes ensinava em sua casa, e á noite tomava como agradavel desenfado leccionar grammatica portugueza e francez a suas parentas e a outras meninas de familias de sua amisade, revezando essas licções com outras, tambem não remuneradas […]”, LEAL, Dr. Antonio Henriques (1873, pag. 132).

Além de exaltar Sotero dos Reis, as melhorias estruturais na escola, também, representam o resgate histórico e a preservação do lugar, que já foi o mais luxuoso cemitério de São Luís, no século XIX, de propriedade de ingleses não católicos e financiado pela Coroa Britânica. Assim que chegaram aqui, os ingleses trouxeram suas famílias, empregados e escravos e resistiam em utilizar espaços públicos. Portanto, resolveram construir suas próprias igrejas, escolas, casas e cemitérios. O da São Pantaleão tinha, logo na entrada, um portal de cantaria, que veio de Lisboa (Portugal), portões e gradeados que chamavam a atenção pelo esplendor e qualidade de acabamento. Os jazigos eram quadrados, porque os corpos eram enterrados no sentido vertical. A história conta que, ali, foram enterrados 242 corpos, entre eles, diplomatas, comerciantes, comandantes de navio e marinheiros. De acordo com relatos, até meados de 1970, os túmulos ainda podiam ser vistos no local e, ainda hoje, o espaço da escola abriga dois túmulos.

Atualmente, a ‘Sotero dos Reis’ tem 890 (oitocentos e noventa) alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos, nos turnos matutino e vespertino. Em 2010, foi iniciada uma reforma prevista para conclusão em seis meses e, após três anos, foi entregue inacabada, apresentando riscos aos alunos e corpo técnico da escola. A reforma atual segue em ritmo acelerado e dentro do cronograma estabelecido em acordo com a comunidade escolar.

Assim como a gestão, estudantes, professores, técnicos e servidores, o literato e educador, Sotero dos Reis, se estivesse vivo, certamente estaria dando saltos de alegria.

Felipe Camarão
Professor
Secretário de Estado da Educação
Membro da Academia Ludovicense de Letras
e Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

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